A adaptação dos jogos de videogame para o cinema nunca foi uma tarefa simples. Enquanto algumas franquias como Super Mario Bros. e Sonic encontraram sucesso ao equilibrar nostalgia e narrativa, outras caíram no esquecimento por falharem em capturar a essência do material original. Felizmente, Um Filme Minecraft , dirigido por Jared Hess (Napoleon Dynamite, Nacho Libre), não apenas honra o espírito criativo do jogo da Mojang, mas também o expande em uma aventura cinematográfica genuinamente divertida e repleta de personalidade… mas mais para as crianças.

Desde seu lançamento em 2011, Minecraft se tornou muito mais que um jogo: é um fenômeno cultural que redefiniu a liberdade criativa nos games. Sua jogabilidade sandbox, sem um enredo fixo, sempre deixou espaço para os jogadores inventarem suas próprias histórias. O filme, no entanto, opta por uma abordagem mais estruturada, transportando quatro personagens desajustados para o Overworld, o icônico mundo cúbico do jogo, que na versão legendada chama-se “Mundo Superior”, em uma missão repleta de humor absurdo e referências aos jogos.
Fãs do game reconhecerão imediatamente elementos como os temíveis Creepers, os Piglins hostis e os pacatos animais de design quadrado, todos trazidos para as telas com um visual que oscila entre o fiel e o surreal. A direção de arte, embora possa causar estranheza inicial, logo se revela uma escolha acertada, mantendo a estética de blocos que define Minecraft enquanto a adapta para uma linguagem cinematográfica dinâmica. Entretanto, o uso de fundo verde para compor os cenários fantásticos torna-se nítido em poucos momentos, bem diferente da sensação do primeiro trailer, onde os efeitos especiais ainda não estavam prontos.

Jared Hess encontra em Minecraft o cenário perfeito para sua criatividade desenfreada. O roteiro, repleto de piadas rápidas e momentos aleatoriamente hilários, lembra o tom de seus trabalhos anteriores, como Napoleon Dynamite, mas com uma energia mais infantil.
Destaque absoluto para Jack Black, que atuando como ele mesmo (e isso não é um demérito, muito pelo contrário), entrega um desempenho tão carismático e hiperbólico quanto se esperaria dele, consolidando-se como uma das vozes mais marcantes do filme. Enquanto Jason Momoa, que interpreta um jogador fracassado e excessivamente dramático com um timing cômico razoável, não traz uam atuação exagerada e extremamente caricata de seus últimos trabalhos.
O restante do elenco também brilha, com nomes como Jennifer Coolidge, Kate McKinnon e Danielle Brooks acrescentando camadas extras de humor e charme. Emma Myers e Sebastian Eugene Hansen, como os jovens protagonistas, trazem a dose certa de ingenuidade, drama e coração à trama, tornando a jornada deles pelo Mundo-Superior tão emocionante quanto engraçada. Porém, falando sobre o drama, pouco dele é abordado, já que os personagens mencionam como suas vidas no mundo real é díficil, mas a discussão apenas toca a superfície de algo que poderia trazer mais peso para a construção dos personagens e até gerar mais apego nosso (público adulto).

Um Filme Minecraft não é apenas uma homenagem aos jogadores, mas também uma porta de entrada para quem nunca pegou um bloco de madeira no game. A narrativa, embora simples, é eficaz em sua proposta: uma aventura sobre trabalho em equipe, criatividade e, claro, sobreviver às explosões dos Creepers.
Por fim, as crianças, sem dúvida, serão as maiores entusiastas, mas o humor pastelão, as referências à cultura gamer e algumas piadas mais adultas garantem que os adultos também tenham motivos para rir. O filme abraça sua própria loucura e é exatamente isso que a torna tão cativante.
Não se trata de um filme que buscará reconhecimento da crítica tradicional, e nem manchará as adaptações de games para o cinema. Mesmo com um roteiro simples, Um Filme Minecraft é a celebração do caos criativo que Minecraft representa. Com sua direção simples, elenco talentoso e humor nonsense cumpre com seu papel de entreter e homenagear o jogo.